O QUE ACHAMOS DE:: Deixe a Luz do Sol Entrar (Un Beau Soleil Intérieur)

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A busca por amor é, certas vezes, uma desilusão. Mas é possível encontrar o amor quando se está tão a fim de um? Sim, claro, mas sempre existirão os “porém” – assim como se o sentimento surgisse inesperadamente. E é de forma sutilmente cômica que o novo filme de Claire Denis (“Bom Trabalho”) trata a procura do amor.

No início do filme, vemos logo uma explícita cena de sexo, na qual somos introduzidos a uma personagem descontente e perdida nos devaneios de seus pensamentos, enquanto seu novo parceiro tenta, esforçadamente, fazer com que ela chegue no seu auge sexual. Em vão. E aí que percebemos como o passado tem presença forte no presente da personagem.

O longa acompanha a busca de Isabelle (Juliette Binoche), uma talentosa artista plástica e mãe divorciada, pelo amor de sua vida. Nessa trajetória, ela não consegue esconder sentimentos quando se depara com novos homens, e é essa a grande sacada do filme.

Ao longo dos 94 minutos, conhecemos alguns de seus parceiros, que acabam ou não conseguindo a reciprocidade do amor de Isabelle. Entretanto, por parecer desesperada em sua busca (e isso se nota em uma cena em que ela diz que quer encontrar o amor da sua vida), ela acaba escolhendo homens com problemas tão reais quanto os dela e se confundindo cada vez mais.

Talvez o fato de estar cansada de procurar a pessoa com quem passar o resto da vida, Isabelle se torna uma mulher cada vez mais direta e objetiva. Com diálogos simples, o roteiro tem um destaque por apresentar aquilo que a maioria das pessoas quer falar para seus parceiros no início de uma relação, mas não conseguem.

Como parece ter sido bem ressaltado involuntariamente nos parágrafos acima, o melhor do filme é, certamente, Juliette Binoche. A atriz francesa vencedora do Oscar consegue transpassar a confusão interna de Isabelle com um humor oscilante que dá a leveza no filme.

Apesar de pouco explorado, o personagem de Gerard Depardieu tem importância fundamental na trajetória de Isabelle, pois é ele quem a leva para o ponto central de sua busca pelo amor de sua vida.

Ao fim do filme, é possível compreender que relacionamentos são criados e moldados, em sua maioria, à base de naturalidade – confiança, força de vontade de fazer acontecer dos pares e não estar casado também contam muito. Não apenas isso, o filme mostra que, se nos trancarmos no passado, nunca abriremos nossas portas para o futuro ou o presente e, sendo assim, jamais deixaremos que a luz do sol entre e habite em nós.

Apesar de possuir um pretexto nem um pouco convincente e até clichê, o filme é uma boa pedida por mostrar como a busca do amor é. Com uma direção desavergonhada, Claire Denis escancara a nova onda do cinema, que é mostrar, de fato, como é a vida real.

Vencedor do prêmio de melhor filme na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do Festival de Cannes 2017, “Deixe a Luz do Sol Entrar” tem estreia no Brasil prevista para o dia 29 de março.

Nota: 6/10

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