PIXEL SHOW :: Evento tem Wendel Bezerra como atração. Dublador deu entrevista exclusiva ao Parada Obrigatória

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Em novembro acontece a 14ª edição do Pixel Show, em São Paulo. O evento reúne os maiores artistas da dublagem brasileira, além de promover palestras, workshops e exibições de filmes e músicas.

Entre as propostas desse ano estão workshops de desenho, lettering e construção de objetos para stop motion. Demais, né? Mas não para por aí! Entre as palestras estão: “De Star Wars a South Park: 30 anos de histórias da produção de computação gráfica”, com o americano Terrence Masson e “Os bastidores do mundo da dublagem”, com Cecília Lemes, Wellington Lima e Wendel Bezerra. Além disso, Wendel traz o tema: “O crescimento do ator através da dublagem”. O dublador cedeu uma entrevista exclusiva ao Parada Obrigatória, para nos deixar mais ansiosos e animados para o Pixel Show.

Aos 44 anos, Wendel Bezerra tem trinta e seis anos de carreira na área da atuação e dublagem. Casado, pai de três filhos, ele conta como tudo começou e como fez grandes papéis como dublador. Entre os mais famosos estão Bob Esponja, Jack (Titanic), Edward Cullen (Crepúsculo) e Buddy Valastro (Cake Boss – reality show).

Confira a entrevista completa:

PO: Me conta sobre seu início e suas influências. Você tem dois irmãos que também são dubladores, né?

Wendel: Sou o filho mais novo e meus irmãos faziam comercial, teatro, novela… Aí eu entrei em uma peça de teatro da Bibi Ferreira, aos 4 anos, chamada “A gota d’agua”. A partir disso, eu emendei os trabalhos. Aos 6 anos me indicaram para protagonista de uma peça que tinha apenas 20 pessoas, então meu trabalho se destacou.

Meu irmão, minha irmã e eu fomos convidados para vários trabalhos, porque na época não tinha criança que fazia dublagem e também por termos desinibição para atuar, então a coisa deu certo. Depois não parei mais. Com 20 anos parei de fazer teatro e TV e foquei na dublagem. Já são trinta e seis anos de carreira.

PO: Como é dublar coisas tão opostas como desenho e reality show de culinária?

Wendel: Uma das coisas mais legais da área de dublagem é fazer personagens que eu jamais faria como ator. Pode ser negro, japonês, galã, uma esponja (risos). E também dá pra fazer gente de verdade, como o Buddy Valastro, de Cake Boss. Esse é o grande barato. Além de ser um exercício diário de atuação. Estou quase sempre trabalhando fora da minha zona de conforto.

PO: E tem diferença de criar a voz para um desenho e para um jogo, por exemplo?

Wendel: Quando é uma voz caricata a gente tenta seguir o original, o estilo da voz. Como do Bob Esponja, por exemplo. Agora, na maioria das vezes não existe muita preocupação em mudar a voz. Por exemplo, Ryan Gosling, cada filme, personagem tem um perfil de falar, de fazer e se expressar. Mas a voz a sempre igual. Existe mais a preocupação de fazer com a mesma energia, vibe, intenção, mesmo ritmo, cada detalhe da forma do personagem se expressa, do que necessariamente mudar a voz. Fico feliz porque quem assistindo acaba comprando o que vendo. [Ele dublou o ator em ‘Diário de Uma Paixão’, 2004 e ‘Um Crime de Mestre’, 2007].

PO: De todos, qual o personagem mais difícil de fazer?

Wendel: Bob esponja é muito difícil, porque ele tem uma dinâmica muito louca e a voz cansa. Eu começo a ficar rouco.

E “Efeito Borboleta” (2004) na dublagem do ator Ashton Kutcher tem uma cena que ele grita o alfabeto em grego. Então eu tive que decorar o alfabeto e depois colocar certinho no tempo da cena. Foi bem difícil.

PO: Já aconteceu de alguém reconhecer sua voz em alguma situação cotidiana, onde você não precisou nem se apresentar?

Wendel: Acontecia antigamente por causa do Goku. As vezes apenas de eu falar alguém reconhecia. Hoje em dia com matérias e canal no Youtube com 1 milhão de inscritos, é mais comum.

PO: Você tem três filhos, né? Como é essa relação de ter um pai dublador de desenho?

Wendel: Sim. Eles assistem e eu falo ‘é minha voz’ (risos). Mas eles têm uma relação muito boa, porque, para eles, é como o pai dos amigos, que é advogado, eles dizem ‘meu pai é dublador’. Alguém, as vezes, pergunta pra minha filha: “Seu pai é o Bob Esponja?” e ela responde: “Não, ele só dubla” (risos).

PO: O que é a UniDub? É uma empresa de dublagem?

Wendel: A UniDub é um estúdio de dublagem, que faz esse serviço de dublagem (áudio books, gravação de game, animação com voz original…). Tudo o que tem a ver com voz. A empresa não é mais vinculada com a universidade de dublagem, que era um curso.

PO: Dias 10 e 11 acontece o Pixel Show em São Paulo. Como é pra você, como dublador, sair de uma cabine onde só sua voz é o foco e encarar a plateia?

Wendel: Hoje em dia encaro com mais naturalidade. Começou 15 anos atrás os fãs de animação, anime, universo pop e geek promoverem muitos eventos pelo Brasil. E eu participo desde o começo, então com o tempo fui me acostumando, assim como o Youtube.

PO: Falando no Youtube, como você teve a ideia de criar o canal, que hoje tem mais de 1 milhão de inscritos e recebe participações de outros dubladores?

Wendel: O canal no Youtube começou por acaso, porque minha mulher era produtora da HBO e veio trabalhar comigo. Mas ela sentia falta de produzir. Chegou a pensar até em fazer um canal pra ela, pra poder trabalhar novamente com isso, mas aí ela disse “Vamos fazer um pra você”.

No começo me senti meio forçado, me sentia mal. Eu tinha medo de ficar algo meio fake. Mas aí as pessoas foram gostando e se inscrevendo, dando sugestões e opiniões. Aí me empolguei.

Eu acho isso muito bom, porque além de ter as participações de outros dubladores, eu acho que é uma maneira de divulgar a dublagem. Tenho certeza que deve ter dublador por aí bravo comigo porque ainda não convidei, mas isso é uma coisa boa (risos).

No canal podemos tirar dúvidas e contar curiosidades. Tem gente que sempre quis saber qual o rosto que dá voz ao seu personagem preferido.

PO: E o universo dos youtubers está crescendo, né… Como você vê isso?

Wendel: O universo dos youtubers é engraçado porque eles também já foram fãs de desenho, então todos eles me conhecem e eu fico surpreso com isso. O Cocielo uma vez trocou umas mensagens comigo dizendo que era uma honra falar comigo e é muito doido isso.

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Você pode conferir toda a programação completa e comprar ingressos para o Pixel Show no site. Lembrando que o evento acontece em São Paulo nos dias 10 e 11 de novembro.

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