O QUE ACHAMOS DE :: A Maldição da Casa Winchester

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“A Maldição da Casa Winchester” tem um começo bastante clichê, mas tinha tudo para se tornar um filme bom, até mesmo um novo clássico do terror, mas não é bem isso que acontece…

O longa conta a história de Sarah Winchester (Helen Mirren), herdeira de uma empresa de armas de fogo que acredita ser assombrada por almas que foram mortas pelo rifle criado por sua família, os Winchester. Após as repentinas mortes do marido e filho, ela decide construir uma mansão para afastar os espíritos. Quando o psiquiatra Eric Price (Jason Clarke) parte para avaliar o estado psicológico de Sarah, ele percebe que talvez a obsessão dela não seja tão insana assim.

O elenco ainda é composto por Sarah Snook, Finn Scicluna-o’prey, Eamon Farren e Laura Brent. A direção é dos Irmãos Michael Spierig e Peter Spierig, que tem no currículo “Jogos Mortais – Jigsaw” (2017).

O filme começa mostrando apenas duas tramas: a do Dr. Price e a de Sarah. Como são apenas dois protagonistas. isso deveria ser o suficiente para desenvolver uma boa história da vida de cada personagem, porém não foi aprofundada e o filme não nos mostra quem são eles de fato e qual história eles carregam consigo. Isso dificulta bastante a identificação com os personagens e os sentimentos com relação à eles… Devo sentir pena? Compaixão? Desconfiar? Odiar?

Além de um roteiro raso e básico, os sustos são totalmente previsíveis o tempo todo. Não há nenhum momento que a música (ou a falta dela) não indique que algo está por vir. O que é deprimente, pois o longa tinha força o suficiente para se tornar um terror psicológico, pesado na dose certa.

Mais um ponto negativo é o cenário: a casa existe de verdade! E como no filme, ela tem cerca de 100 cômodos, mas a pobreza de cenário é perceptível. As cenas ficam entre 5 ou 6 cenários e não explora mais que isso.

Já do meio para o final o telespectador já descobriu qual o desfecho da trama. O bom suspense que carrega as cenas de susto não é aplicado quando o vilão aparece. (Falaremos sobre o suspense já já). Aliás, o filme demora para mostrar que teremos um único vilão perigoso para lidar, e quando ele aparece, não é tão assustador assim. Se você quer sair do cinema com medo da Annabelle (2014) ou do It, A Coisa (2017), não espere por isso. Eu já nem lembro mais do rosto do vilão.

Ao chegar no final, o clímax se torna cansativo e até confuso. As dúvidas sobre os personagens surgem e a trama se resolve automaticamente, sem esforço e sem argumentos bons, como se tudo fosse muito fácil de lidar.

Mas nem só de coisas ruins vive um filme (ainda bem!), porque ele tem um elenco bom com Helen e Jason, que carregam a trama como podem. No meio desse monte de críticas ruins, as atuações são superconvincentes e em alguns momentos a personagem da Helen, com suas roupas pretas e macabras, chega a ser bem mais assustadora que os vilões de fato.

Outro ponto que me chamou a atenção para o lado positivo foi a história da fábrica de armas dos Winchester. Criaram simbologia, história e personagens envolvimentos com o armamento. A falta de aprofundamento em outros pontos não deixa a desejar nesse aqui. Afinal, eles explicam de onde surgiu as armas, quem as criou e por que são amaldiçoados. Além disso, mostram a real motivação dos espíritos. Definitivamente, esse não é o espírito clichê que só está bravo porque você se mudou com a sua família para a casa dele.

Ainda com os espíritos e sobre atuação, o filme fala sobre remorso e amor à família. A “louca” Sarah não é a exorcista que tenta mandar o espírito para o inferno, mas ela tenta ajudar eles a encontrarem a luz e acima de tudo proteger sua família dos espíritos rebeldes.

Fotografia e direção de cena são boas. Mesmo com os sustos clichês, eles mantem o clássico do terror, que ainda deixa a gente no suspense, pensando onde aquele corredor escuro vai dar, ou quem vai aparecer atrás daquele espelho. Isso inclui também a iluminação das cenas. Alguns filmes de terror exageram na escuridão e isso acaba atrapalhando, mas definitivamente “A Maldição da Casa Winchester” tem esse ponto positivo, já que a iluminação deixa o clima tenso com as poucas lâmpadas e várias velas de 1906.

Por fim, não é um filme que me deixa assustada ao sair do cinema ou que não me deixará dormir a noite. Isso é bom para algumas pessoas (risos), mas eu acho que um bom filme de terror é daqueles que nos matam do coração (brincadeira). O fim deixa uma abertura para um segundo filme, mas considero totalmente desnecessária uma sequência. A não ser que façam um roteiro verdadeiramente horripilante e novo. A história dos Winchester poderia ser aprofundada e quem sabe o bom elenco voltará.

Nota: 5/10

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